quinta-feira, 23 de agosto de 2007

FENIX


Todo dia a estória se repete: rico com medo de pobre; pobre com medo de pobre muito pobre e pobre muito pobre com medo de pobre muito pobre e preto. Em um dos seus textos Frei Beto destaca: Entre Rio e São Paulo há cerca de 2,3 milhões de jovens, entre 14 e 24 anos, que não terminaram o ensino fundamental. Nesse contingente encontram-se 80% dos assassinos e dos assassinados.

Contato precoce com álcool, acesso as drogas, irresponsabilidade, impunidade, ociosidade, complacencia dos pais e o desejo de se aventurar, tipico dos neuronios jovens, fazem um coquetel de efeito devastador nessa geracao.

Na classe media, acidentes de transito,vícios,são os principais algozes. Já na favela,o envolvimento com o trafico e a criminalidade se encarrega de trucidar tantos jovens.

Anísio Teixeira, Darcy Ribeiro, Paulo Freire exauriram suas forcas em prol da construção de um modelo educacional coeso, denso e instigante para o jovem, mas o marketing e as ambições políticas trataram de perverter a idéia, que foi sucateada.

A escola publica já foi sinônimo de orgulho. Hoje agoniza! Visitando um CIEP conversei com a diretora que me disse ter problemas sérios de infra-estrutura e recursos, de toda ordem. Durante a visita, acompanhei um fato estarrecedor.Um menino de nove anos, ainda na primeira serie, tinha telefonado pra policia de um orelhão dentro da escola.O rebento estava denunciando maus tratos a policia e aguardava a chegada da viatura. Tudo por ser repreendido pela professora, por ter batido em um colega.

O menino já era temido por todos e, invariavelmente, lançava mão de argumentos intimidatorios, dizendo conhecer o trafico e seus chefes locais e jurando vingança a cada reprimenda. “E quase rotina” admitiu a diretora. Ele parece que é instruído por terceiros: chama a policia e o conselho tutelar, se diz maltratado,mas no fundo, visa à desmoralização da escola e a intimidação de seus colegas, impondo um certo “respeito”.

Quando indaguei sobre os pais, a professora me disse que o pai tinha sido assassinado e que a mãe era alcoólatra. Ao ouvir fiquei sem ação e calado por um bom tempo. Mas o detalhe que me chamou mais atenção nisso tudo foi o fato de que o menino, enquanto esperava, sentou, apanhou uma folha de seu surrado caderno e começou a dobrar varias vezes, ate surgir um lindo passaro, como um origami. Naquele momento percebi sua face doce de criança, sua capacidade de concentração e criatividade. Estava tudo ali! Debaixo de tanta magoa, dor e rancor. Me aproximei e disse: essa é a fênix e contei, resumidamente, a estória do passaro q renasce das cinzas. Ele ouviu, me fitou e disse: Tio! deve ser bom ter uma nova chance né ??!!

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